Nova molécula elimina tumores de linfoma em ratos em apenas 11 dias

Saúde Linfoma 04/09/2026 14:11 João Assad, Extra extra.globo.com

Pesquisadores da Universidade de Stanford desenvolveram uma substância que destrói células cancerosas ao reprogramar uma proteína, mostrando resultados rápidos em testes com animais.

Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, anunciaram a criação de uma molécula que conseguiu eliminar um tipo de linfoma agressivo em ratos em apenas 11 dias.

De acordo com o estudo, a molécula redireciona uma das proteínas mais comuns que causam o linfoma de células B para ativar a morte celular. Quando aplicado duas vezes ao dia, o tratamento eliminou o tumor em menos de duas semanas.

  • A molécula TCIP3 foi criada por cientistas da Universidade de Stanford.
  • Ela age ligando a proteína BCL6 a outras que ativam a morte das células cancerosas.
  • Nos testes, tumores em ratos sumiram completamente após 11 dias.
  • A substância também mostrou efeito em doenças autoimunes, como artrite reumatoide e miastenia grave.
  • Ainda não há testes em humanos, mas a técnica pode ajudar contra outros tipos de câncer.

"Estamos tentando, essencialmente, combater o câncer em sua causa, eliminando a força motriz do câncer e reprogramando-a para ativar mecanismos de morte celular", disse Gerald Crabtree, professor de Patologia e de Biologia do Desenvolvimento, ao SciTechDaily.

Os cientistas explicam que estão usando uma estratégia desenvolvida há alguns anos: em vez de apenas bloquear uma proteína que causa o câncer, eles criam uma pequena molécula que conecta fisicamente essa proteína a outra capaz de ativar o programa de autodestruição da própria célula.

BCL6 mantém as células do linfoma vivas

No estudo, publicado na revista Cell, os pesquisadores focaram no linfoma difuso de grandes células B, o tipo mais comum de linfoma não Hodgkin, um câncer no sangue que é frequentemente impulsionado por uma proteína chamada BCL6.

Essa proteína funciona desativando os genes que normalmente interrompem o crescimento ou desencadeariam a morte celular, um processo natural do corpo. Isso dá tempo para as células se multiplicarem durante uma resposta imune.

No caso do câncer, essa proteína fica "ativada", suprimindo continuamente os genes da morte celular e permitindo que as células malignas se multipliquem sem controle.

O objetivo dos pesquisadores não era apenas remover essa supressão, mas também aumentar ativamente a expressão dos genes que matam a célula.

TCIP3 ativa genes "assassinos"

Foi com esse pensamento que eles chegaram à molécula TCIP3, que reúne a proteína BCL6 com proteínas que podem reverter sua atividade promotora do câncer. "Um lado se liga ao BCL6", explicou Meredith Nix, estudante de graduação que participou do estudo.

"O outro lado se liga a uma das duas proteínas chamadas P300 e CBP, que adicionam marcadores químicos chamados marcas de acetil em proteínas próximas".

Quando a BCL6 recebe essas marcas de acetil, ela fica incapaz de suprimir os genes envolvidos na morte celular. Ao mesmo tempo, a molécula é capaz de reativar a expressão desses genes. "É por isso que conseguimos obter compostos realmente potentes", disse Nix.

Tumores desapareceram em 11 dias

Para testar a nova molécula, os pesquisadores implantaram células de linfoma humano em roedores, deixaram o tumor se desenvolver e depois medicaram os animais com TCIP3 duas vezes ao dia.

"Após 11 dias, os tumores tratados com TCIP3 desapareceram completamente, enquanto os tumores nos animais do grupo de controle permaneceram", disse Nix.

Além disso, os animais não mostraram sinais de intoxicação, e os exames de sangue não detectaram aumento nos sinais de inflamação.

A TCIP3 também se mostrou promissora no tratamento de algumas doenças autoimunes, como artrite reumatoide e miastenia grave. Os pesquisadores sugerem que moléculas semelhantes poderiam eventualmente ser úteis contra essas doenças.

Embora testes clínicos ainda estejam longe de acontecer, essa nova estratégia de moléculas bivalentes, ou de duas cabeças, para redirecionar, em vez de simplesmente inibir, uma proteína que impulsiona o câncer, tem se mostrado cada vez mais promissora.

"Essa pode ser uma abordagem poderosa para combater outros supressores da morte celular ou fatores de transcrição que controlam genes que queremos ativar no câncer", disse Nix.


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