O Ministério da Saúde autorizou a Fiocruz a começar os testes clínicos da primeira vacina brasileira contra a Covid-19 desenvolvida com RNA mensageiro (mRNA). O recrutamento de voluntários deve começar no primeiro trimestre de 2027. A pesquisa faz parte de um investimento de R$ 210 milhões do governo para reduzir a dependência de vacinas estrangeiras e expandir a produção para outras doenças.
O Brasil avança ao iniciar os testes clínicos em humanos da primeira vacina nacional desenvolvida com tecnologia de RNA mensageiro, voltada ao combate da Covid-19. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (2), com a autorização da Fiocruz para o início do estudo com voluntários.
Essa tecnologia, já usada internacionalmente, funciona enviando instruções para as células produzirem proteínas que treinam o sistema de defesas do corpo a reconhecer e combater o vírus. Agora, o foco é comprovar a segurança e a eficácia dessa versão brasileira.
- É a primeira vacina brasileira feita inteiramente com a tecnologia de RNA mensageiro.
- O financiamento do governo é de R$ 210 milhões, dividido entre Fiocruz, Butantan e UFMG.
- Além da Covid-19, a mesma base servirá para criar imunizantes contra dengue, malária, tuberculose e outras doenças.
- O objetivo é reduzir a dependência de laboratórios estrangeiros e ampliar a resposta a emergências de saúde.
- Os voluntários receberão o imunizante como dose de reforço e serão acompanhados por um ano.
Na primeira fase do estudo, os pesquisadores avaliarão se a vacina é segura e se consegue despertar a resposta correta do sistema imunológico. Os participantes da pesquisa serão monitorados por um ano inteiro para observar o desenvolvimento de possíveis efeitos colaterais e a reação do organismo à substância. A ideia é que essa vacina sirva como uma dose de reforço contra o coronavírus.
Investimento de R$ 210 milhões em pesquisa
O esforço não se limita apenas à vacina da Covid. O governo investiu R$ 210 milhões em três grandes centros de pesquisa: a Fiocruz recebeu R$ 77 milhões, o Instituto Butantan R$ 73 milhões e o centro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ficou com R$ 60 milhões.
A grande vantagem do RNA mensageiro é a sua flexibilidade. É possível alterar as instruções enviadas ao corpo para combater diferentes doenças. Por isso, o Brasil já está desenvolvendo vacinas para leishmaniose, tuberculose, dengue, malária, doença de Chagas e até aplicações para tratamento de câncer. Essa infraestrutura permitirá que o país gere tratamentos para várias doenças ao mesmo tempo.
Estratégia de cooperação e soberania
Esse avanço faz parte de uma estratégia para deixar o Brasil independente em relação à tecnologia de vacinas. O projeto conta com a ajuda de instituições como o BNDES e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que visam transformar essa plataforma em um ativo de longo prazo. A ideia é que o país tenha a capacidade própria de responder a futuras crises sanitárias sem precisar apenas da importação de soluções de outros países.

Imagem ilustrativa de vacina contra chikungunya, usada no contexto de desenvolvimento de novas tecnologias vacinais / Freepik





