IML de Barra do Garças é fechado por falta de condições; saiba onde fazer perícias e necropsias

Saúde Interdição 01/08/2026 07:21 Mariana Lenz - Primeira Página primeirapagina.com.br

O Instituto Médico Legal (IML) de Barra do Garças (MT) foi interditado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-MT) depois que uma vistoria encontrou problemas graves como produtos químicos vencidos há mais de 10 anos, falta de água potável, banheiro para os funcionários, e até ossos humanos guardados de forma inadequada em uma sala de limpeza. A interdição começa nesta sexta-feira (31) e não tem data para acabar. Para não deixar a população sem atendimento, os serviços foram transferidos: as perícias em pessoas vivas, como casos de violência e lesão corporal, agora são feitas na UPA da cidade. Já as necropsias (exames em corpos) estão sendo realizadas nas funerárias do município.

O Instituto Médico Legal (IML) de Barra do Garças (MT) foi oficialmente interditado a partir desta sexta-feira (31) pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) até que os problemas de saúde e segurança encontrados no local sejam resolvidos. Não há previsão de quando o serviço será reaberto.

  • O IML foi interditado por falta de condições básicas de funcionamento, como água potável e banheiros.
  • Perícias em pessoas vivas, como casos de violência, agora são feitas na UPA da cidade.
  • Necropsias (exames em corpos) estão sendo realizadas nas funerárias do município.
  • A vistoria encontrou produtos químicos vencidos há mais de 10 anos e ossos humanos guardados em sala de limpeza.
  • Não há alvará sanitário nem de prevenção contra incêndio válidos no local.

Para não prejudicar a população, os serviços foram reorganizados. As perícias em vítimas vivas, como casos de lesão corporal e violência sexual, estão sendo feitas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que fica na Rua Carajás, 522, no Setor Sul II. Já os exames de necropsia estão sendo realizados nas funerárias da cidade.

No dia 9 de junho, a interdição ética do IML foi aprovada por todos os conselheiros do CRM-MT. A decisão foi tomada depois que duas fiscalizações, feitas em 25 de março e 30 de julho, encontraram problemas graves na estrutura, na limpeza e na segurança do local. A vistoria foi feita pelo Departamento de Fiscalização do Conselho e mostrou que o IML não tinha condições mínimas para o trabalho seguro dos médicos e para o atendimento digno das vítimas.

Problemas encontrados no IML

Entre os problemas mais graves encontrados estão: produtos químicos vencidos há mais de 10 anos, materiais usados em exames com prazo de validade vencido, falta de água potável para beber, ausência de banheiro para os funcionários, falta de um local de descanso para os médicos, falta de itens básicos de higiene, e ossos humanos guardados de forma inadequada em um recipiente aberto dentro de uma sala usada para guardar material de limpeza.

O relatório da vistoria também mostrou que o IML não tinha equipamentos obrigatórios, problemas de acessibilidade, não tinha alvará sanitário nem de prevenção contra incêndio válidos, além de não estar registrado no CRM-MT e não ter um diretor técnico formalmente nomeado.

O que é interdição ética

O presidente do CRM-MT, Adriano Pinho, explicou que a interdição ética é uma medida muito séria, usada quando o Conselho vê que não há condições mínimas de segurança, estrutura e respeito para o trabalho dos médicos. É uma ferramenta prevista pelo Conselho Federal de Medicina e é aplicada quando as condições de funcionamento de um lugar colocam em risco a segurança do atendimento médico, dos pacientes ou dos profissionais. Com isso, a medida proíbe a realização de qualquer atendimento médico no local até que todos os problemas sejam resolvidos.

O que diz a Politec

O Primeira Página entrou em contato com a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), que informou, por meio de uma nota, que alguns dos problemas apontados pelo CRM já foram resolvidos e outros estão sendo resolvidos. A Politec também garantiu que os serviços médico-periciais da unidade não serão prejudicados. Os atendimentos periciais em vítimas vivas (como lesão corporal e violência sexual) estão sendo feitos na UPA, e os exames de necropsia estão sendo realizados nas funerárias da cidade. A Politec também colocou um telefone para contato: (66) 98136-5486, para informações sobre a liberação de corpos.


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