Um médico neurocirurgião desenvolveu um aplicativo para celular que ajuda pacientes que perderam a fala, como os que tiveram um AVC, a comunicar onde sentem dor e qual a intensidade. A ferramenta usa imagens e cores, permitindo que o paciente registre o problema de forma simples. O objetivo é melhorar o diagnóstico e o tratamento da dor, que muitas vezes fica sem solução por falta de comunicação.
A dificuldade de identificar e tratar a dor em pacientes que não conseguem se comunicar falando foi uma das principais razões que levou o Dr. Normando Guedes, médico neurocirurgião e professor, a criar uma solução inovadora para cuidar de pacientes que perderam a fala (afásicos). A ideia surgiu a partir de um caso difícil de um paciente com sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que não conseguia falar e isso atrapalhava o diagnóstico e o acompanhamento médico.
A partir da observação e da convivência com o paciente, o professor da Afya desenvolveu um aplicativo personalizado para avaliar a dor. Ele transformou uma ferramenta tradicional em um recurso digital que consegue transformar sintomas difíceis de explicar em dados que o médico pode usar para tratar. "A dor não aparece em exames. Para tratá-la corretamente, eu preciso que o paciente me diga como ela é. Sem essa descrição, o diagnóstico pode nem existir", explica o especialista.
- O problema: Pacientes que não falam não conseguem descrever a dor, o que dificulta o diagnóstico.
- A solução: Um aplicativo de celular que usa imagens e cores para o paciente mostrar onde dói e qual a intensidade.
- Como funciona: O paciente toca em um mapa do corpo na tela do celular e escolhe uma cor para indicar a força da dor.
- Benefício: O médico consegue identificar o tipo de dor (como choque ou queimação) e dar o tratamento certo.
- Diferencial: A ferramenta é feita sob medida para cada paciente, respeitando sua forma de se comunicar.
O desafio era grande, pois o paciente sentia dores fortes e frequentes, mas não conseguia descrevê-las. As formas tradicionais, como cartões com desenhos, não funcionaram. Foi então que o médico percebeu que o paciente usava bem o celular e os aplicativos.
Com base nessa observação, o especialista criou uma tecnologia simples que permite ao paciente registrar a dor de forma fácil e visual. Com poucos toques, ele consegue mostrar a localização da dor em um mapa do corpo feito com a própria foto dele e classificar a intensidade usando um sistema de cores intuitivo.
Mais do que um simples registro
Segundo o médico, a inovação vai além de anotar o sintoma. A ferramenta permite entender características importantes da dor, especialmente em casos de dor neuropática, que é marcada por sensações como choque, queimação e formigamento, e que precisam de tratamentos específicos. "Se o paciente não consegue dizer que a dor é em choque ou queimação, por exemplo, eu não consigo identificar o tipo e ele nunca vai receber o tratamento adequado", afirma.
Ajuda para a família e a equipe médica
O projeto também inclui cuidadores e equipes de saúde, permitindo que eles acompanhem a evolução do paciente, os medicamentos usados e a resposta ao tratamento. Com o tempo, o sistema usa inteligência artificial para identificar padrões individuais de dor e ajudar nas decisões sobre o tratamento. "Na dor, ajustamos o tratamento com base no que o paciente relata. Se ele melhora 50% com uma dose, ajustamos no dia seguinte. Mas como fazer isso quando o paciente não fala O diário digital permite exatamente esse acompanhamento", destaca o médico.
A novidade faz parte de uma transformação maior na saúde, com o uso crescente de inteligência artificial. Uma pesquisa recente mostrou que 78% dos médicos brasileiros já usam inteligência artificial no seu trabalho.
Para o médico neurocirurgião, o principal diferencial do projeto foi criar uma solução focada nas necessidades específicas de cada paciente. "Cada pessoa com lesão cerebral desenvolve formas próprias de interação e compreensão. O grande diferencial foi criar uma ferramenta alinhada ao que aquele paciente sabe usar e à sua capacidade de comunicação", conclui.

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