Prefeito publica mapas errados tentando dividir o Brasil após eleições

Politica Política 29/10/2026 03:40 Andrey Bonfim, g1 MT g1.globo.com Colíder MT

Rodrigo Benassi, prefeito de Colíder (MT), publicou dois mapas com sérios erros geográficos e eleitorais propondo uma nova divisão do país. As imagens ignoraram resultados oficiais da eleição de 2026, causando repercussão negativa.

O prefeito de Colíder (MT), Rodrigo Benassi (Republicanos), publicou dois mapas errados com a proposta de um 'novo Brasil', entre segunda-feira (26) e terça-feira (27). A ideia era dividir o país entre os apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL), com destaque para a separação da região Nordeste. No entanto, as imagens apresentaram inconsistências graves na identificação dos estados e na representação dos resultados da eleição presidencial de 2026.

O g1 entrou em contato com o prefeito para apurar as informações, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A iniciativa gerou debates nas redes sociais sobre a validade das divisões regionais baseadas em voto majoritário estadual, ignorando a complexidade interna de cada unidade federativa.

  • O prefeito publicou as artes entre segunda (26) e terça (27), gerando polêmica.
  • Os mapas ignoraram a votação real em estados como Roraima, Minas Gerais, Acre e Amazonas.
  • Após críticas, o prefeito apagou a primeira imagem e publicou outra, também com erros.
  • A legenda da nova arte afirmava que a enquete era apenas informal e sem valor jurídico.
  • A crítica principal é que o método simplifica a política brasileira, ignorando diferenças municipais.

Erros geográficos e eleitorais na primeira arte

A primeira arte, intitulada 'Minha ideia para um novo Brasil: a divisão', traz uma legenda que separa os estados em dois grupos, associados aos eleitores de ambos os políticos. Na imagem, uma das legendas classifica Roraima no grupo de esquerda, identificado pela cor vermelha. No entanto, no segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro venceu no estado, com 72,46% dos votos válidos, o que contradiz a cor utilizada pelo prefeito.

Já Minas Gerais aparece em azul, cor tradicionalmente associada à direita na política brasileira. A confusão se intensifica porque Lula venceu no estado no segundo turno, com 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% de Flávio. Ou seja, a cor escolhida pelo prefeito não corresponde à realidade do resultado local, o que levanta dúvidas sobre a base de dados utilizada para criar o mapa.

Falta de estados e repetição de siglas

Outra diferença crítica está na representação do Acre e do Amazonas. A primeira arte não inclui os dois estados na divisão apresentada, simplesmente omitindo partes do território nacional. Os resultados eleitorais mostram que Flávio venceu no Acre, com 66,57% dos votos válidos, enquanto Lula venceu no Amazonas, com 54,02%. A omissão de estados inteiros em um mapa nacional configura um erro grave de cartografia política.

Após a repercussão da publicação nas redes sociais, Rodrigo apagou a arte original, realizou uma nova postagem e afirmou que a enquete tinha caráter informal e consultivo, sem valor jurídico, institucional ou de plebiscito oficial. Ele buscou amenizar as críticas dizendo que o intuito era apenas discutir ideias, e não propor mudanças constitucionais reais.

Segundo mapa repete falhas e confunde cores

Dessa vez, Roraima aparece em azul, o que estaria correto em relação à cor da direita, mas novos erros foram demonstrados. Minas Gerais continuou sendo representado pela mesma cor azul, mantendo a inconsistência anterior. O Acre e o Amazonas agora aparecem na nova arte, mas o Amazonas aparece representado também pela cor azul, sendo que a maioria dos votos foi para Lula. A correção foi feita de forma incompleta e equivocada.

Em outro erro evidente, Pernambuco aparece duas vezes no mapa, com a sigla 'PE' repetida em pontos diferentes da imagem. Isso demonstra uma falta de rigor na criação gráfica, pois cada estado deve ter uma única representação geográfica. A duplicidade da sigla sugere que o mapa foi montado de forma improvisada, sem controle de qualidade.

Críticas à simplificação da política regional

Na legenda do segundo post, o prefeito mencionou que a expressiva votação da esquerda no Nordeste nas últimas eleições presidenciais definiu o resultado nacional, divergindo da tendência das demais regiões. Ele disse que a intenção era discutir diferenças políticas regionais e a distribuição de recursos públicos, e não atacar o povo nordestino, mas a associação direta entre cor e candidato ainda foi vista por muitos como questionável.

A divisão, no entanto, simplifica os resultados eleitorais ao representar estados inteiros em apenas uma cor, sem mostrar as diferenças de votação entre os municípios. O mapa eleitoral por município permite observar que a preferência dos eleitores não é uniforme dentro de cada estado. Muitos municípios de um mesmo estado votam em candidatos opostos, o que torna a visão binária de 'estado vermelho' ou 'estado azul' uma distorção da realidade democrática plural do Brasil.


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