PM fica sem resposta ao tentar ouvir motorista de Haddad após episódio de perseguição

Politica Investigação 02/09/2026 09:49 João Vitor Revedilho para Jovem Pan jovempan.com.br

Relatório exclusivo revela que a Polícia Militar de São Paulo tentou diversas vezes, sem sucesso, obter novos depoimentos do motorista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As mensagens foram ignoradas, impedindo o esclarecimento de contradições nas versões apresentadas sobre o incidente no Planalto Paulista.

A Polícia Militar de São Paulo enfrentou dificuldades para ouvir novamente o motorista do ex-presidente e deputado federal Fernando Haddad, após o episódio de uma suposta perseguição ocorrida no Planalto Paulista, na capital paulista. A corporação tentou, de várias formas, recuperar o contato com o condutor, mas não obteve resposta, o que impediu a resolução de contradições apontadas durante a investigação preliminar.

A Jovem Pan teve acesso a prints e relatos que mostram as tentativas de contato realizadas tanto pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, quanto pelo tenente-coronel responsável pelo inquérito interno. Enquanto o secretário fez ao menos cinco ligações telefônicas, as mensagens de texto e chamadas enviadas pela PM ficaram sem retorno do motorista de Haddad, identificado como Alessandro.

Veja 5 pontos essenciais sobre o caso:

  • A PM não conseguiu novas explicações do motorista após o primeiro contato por telefone.
  • O secretário de Segurança Pública tentou ligar cinco vezes, sem atender.
  • O motorista mudou a versão sobre ter entrado ou não no Hotel Pullman.
  • A frase vaza só apareceu no depoimento à Polícia Civil, antes não citada à PM.
  • A ausência de respostas travou o esclarecimento definitivo do caso pela Polícia Militar.

A tentativa de contato e as versões contraditórias

Ao menos cinco ligações ignoradas

Segundo os documentos, Nico Gonçalves conversou com o motorista no dia 12 de agosto para colher informações iniciais. Por volta das 15h, o motorista relatou ter sido perseguido por uma viatura que jogou luz sobre seu carro e afirmou ter entrado no Hotel Pullman. No entanto, quando a PM enviou policiais ao local, não foi possível encontrar nas câmeras de segurança a entrada do veículo Ford Fusion guiado por Alessandro.

Diante da falta de imagens, o secretário retornou a chamada às 17h do mesmo dia. Foi nesse momento que o motorista apresentou uma nova versão: disse não ter entrado no hotel, apenas passado em frente, e apontou a Rua Joinville como o local exato da abordagem policial, onde os agentes teriam parado a viatura e descido do veículo para encará-lo. À noite, por volta das 20h30, Alessandro voltou a falar com o secretário, mencionando uma entrada da garagem no subsolo em referência ao hotel.

No dia seguinte, 13 de agosto, Nico ligou cinco vezes para o motorista entre 12h e 12h30, mas nenhum dos chamados foi atendido. Simultaneamente, o tenente-coronel responsável pelo inquérito também buscava contato com Alessandro, sem sucesso. Mais uma mensagem de WhatsApp foi enviada às 17h04, permanecendo sem resposta.

Como o motorista não atendeu às solicitações da Polícia Militar para um depoimento formal após a abertura da investigação preliminar, a corporação utilizou apenas as informações verbais anteriores por telefone. O relatório final destaca que a falta de esclarecimentos diretos impediu a PM de resolver as divergências encontradas no caso. Alessandro só prestou depoimento formal para a Polícia Civil, no dia 17 de agosto.

A questão da frase vaza

Discrepância nos relatos

Uma das principais divergências envolve a frase vaza. No depoimento à Polícia Civil, o motorista declarou que estava dentro do carro, com as luzes internas acesas e o vidro do motorista abaixado, quando ouviu claramente uma voz dizendo vaza. Embora não soubesse identificar qual policial proferiu a frase, ele garantiu ter certeza de que a voz pertencia aos agentes.

Essa informação contraria o alegado por Alessandro durante os primeiros contatos com a Polícia Militar. Segundo o tenente-coronel, o motorista não teria mencionado nenhum contato verbal específico ou a frase vaza, trouxa nos relatos iniciais. O relatório também aponta que o motorista não mencionou, à época da conversa com a PM, que os policiais portavam fuzis ou que isso teria causado intimidação. Fontes da corporação afirmaram que, embora haja diferenças nos relatos, isso não é suficiente, por si só, para concluir que o motorista mentiu.

A Jovem Pan procurou a equipe de comunicação de Fernando Haddad para comentar o caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.


Chama no Zap

(66) 98408-0740