A Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu manter na cadeia os primeiros suspeitos presos na Operação Gutenberg. Eles são investigados por um esquema que desviou cerca de R$ 27 milhões de dinheiro público de prefeituras. A operação foi feita pelo Gaeco, que é o grupo especializado em combater o crime organizado.
Os primeiros investigados presos na Operação Gutenberg, feita pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), tiveram a prisão mantida pela Justiça após audiências de custódia na manhã desta quarta-feira (8). A investigação apura um esquema de desvios de cerca de R$ 27 milhões em contratos públicos de prefeituras de Mato Grosso do Sul.
- A Justiça manteve a prisão de seis suspeitos após audiências de custódia.
- O Gaeco investiga um esquema que desviou R$ 27 milhões de prefeituras.
- Entre os presos estão ex-funcionários públicos, empresários e um ex-prefeito.
- A defesa dos suspeitos reclama que não teve acesso ao processo.
- O governo de MS vai afastar servidores e abrir uma auditoria para investigar as fraudes.
Com a decisão da Justiça, os investigados serão levados para o sistema prisional ainda nesta quarta-feira.
Passaram por audiência de custódia e continuarão presos:
- Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da Regulação de Saúde do Estado (Core);
- Felipe Paroschi Jafar, ex-funcionário comissionado da Agesul e filho da empresária Rossana Jafar;
- Joatan Gomes Peixoto, empresário;
- Francisco Anízio dos Santos, empresário;
- Douglas Henrique de Melo, empresário;
- Paulo Rogério de Melo, empresário e pai de Douglas.
Ainda aguardam audiência de custódia nesta quarta-feira os investigados Matheus Oliveira Peixoto, Olívia Paroschi Jafar e Gabriel Taquino de Paula.
Já as audiências de Jéssyka Duarte Burgatt e Rossana Paroschi Jafar foram marcadas para quinta-feira (9), porque os mandados de prisão foram cumpridos depois do meio-dia de terça-feira (7).
Defesa reclama de falta de acesso ao processo
O advogado André Stuart, que representa cinco dos investigados (Francisco Anízio dos Santos, Ed Carlo Burgatt, Gabriel Taquino de Paula, Matheus Oliveira Peixoto e Joatan Gomes Peixoto), criticou a condução do processo e disse que as defesas ainda não tiveram acesso aos autos da investigação.
Segundo ele, a falta de informações atrapalha o trabalho dos advogados.
"Foram mantidas todas as prisões, mas as defesas estão prejudicadas porque não temos acesso ao processo", declarou.
O advogado informou que só depois de ter acesso aos documentos será possível definir as medidas judiciais para tentar reverter as prisões.
Operação cumpriu 16 prisões e 43 mandados de busca
A Operação Gutenberg mobilizou equipes do Gaeco para cumprir 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
As investigações apontam para a existência de uma organização criminosa suspeita de fraudar contratos públicos e desviar dinheiro da administração pública.
Ex-prefeito, servidores e empresários entre os investigados
Entre os principais alvos está o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, que hoje trabalha como escrivão da Polícia Civil.
Também foi preso o ex-chefe da Regulação de Saúde do Estado, Ed Carlo Burgatt, junto com sua filha, Jéssyka Duarte Burgatt, dona de um plano de saúde em Campo Grande.
Outro núcleo investigado envolve a empresária e cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar, dona da Clínica Ross, e seus filhos Olívia Paroschi Jafar, médica, e Felipe Paroschi Jafar, ex-funcionário comissionado da Agesul.
A lista de presos inclui ainda os empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, pai e filho, donos de empresas de veículos e casas noturnas na Capital.
A investigação também alcança o advogado Gabriel Taquino de Paula, além de outro profissional da advocacia cuja identidade ainda não foi divulgada pelas autoridades.
Governo anuncia afastamentos e auditoria
Em nota oficial, o Governo de Mato Grosso do Sul informou que os servidores efetivos investigados serão afastados de suas funções e que os ocupantes de cargos comissionados serão exonerados.
Além das medidas administrativas, foi determinada a abertura de uma auditoria interna para apurar os procedimentos na área da saúde que teriam sido usados para facilitar as fraudes investigadas pelo Gaeco.
A Operação Gutenberg continua e novas ações não estão descartadas. O Ministério Público Estadual apura a participação de agentes públicos, empresários e intermediários em um esquema que teria causado um prejuízo estimado em R$ 27 milhões aos cofres públicos.

Acir Pauta Diária





