Milei não vai pedir desculpas ao Brasil, diz jornal argentino

Mundo Crise 27/07/2026 15:32 Jovem Pan jovempan.com.br

O presidente da Argentina, Javier Milei, chamou o ministro Alexandre de Moraes de 'lixo careca' e criticou o governo Lula em um evento no Brasil. Agora, o governo argentino decidiu que não vai se desculpar, aumentando a crise entre os dois países.

O governo do presidente da Argentina, Javier Milei, não vai pedir desculpas ao Brasil depois da reação do presidente Lula (PT) às declarações que o argentino fez durante a convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo. A informação foi publicada pelo jornal argentino La Nación, que diz que a decisão já foi comunicada pelo governo de Buenos Aires e que não haverá retratação, nem do presidente nem do embaixador argentino no Brasil.

  • Milei chamou o ministro Alexandre de Moraes de 'lixo careca' em um evento no Brasil.
  • O governo argentino decidiu não se desculpar, mesmo com o Brasil chamando o embaixador para conversar.
  • O Brasil não vai tomar medidas graves, como romper relações ou expulsar diplomatas.
  • A crise entre os dois países é considerada a maior dos últimos 50 anos.
  • Milei apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro e criticou Lula no evento.

Segundo o jornal, fontes do governo argentino disseram que, mesmo com a convocação do embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, não está prevista nenhuma desculpa. A publicação também afirma que o governo brasileiro não pensa em medidas mais duras, como romper as relações diplomáticas ou expulsar representantes argentinos.

"A opinião é unânime: dezenas de diplomatas, ex-funcionários e especialistas em relações internacionais, tanto da ativa quanto aposentados, de ambos os países, não têm dúvidas de que a maior crise diplomática do último meio século entre Argentina e Brasil acaba de ser desencadeada", disse Claudio Jacquelin, do jornal La Nación.

A crise começou depois que Milei participou no sábado (25) do evento de lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Durante um discurso de cerca de 30 minutos, o presidente argentino criticou o presidente Lula, atacou políticas do governo brasileiro e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca", por causa da decisão que impediu uma visita de Milei ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.

Reação do Itamaraty

Depois das declarações de Milei, o governo brasileiro reagiu e tomou medidas diplomáticas. Primeiro, chamou de volta para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. Depois, convocou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para mostrar a "repulsa" do governo brasileiro às declarações do presidente argentino e pedir explicações sobre o episódio.

Segundo um comunicado, a convocação aconteceu por causa das "agressões" de Milei a Lula e a outras autoridades brasileiras durante a convenção do PL, em São Paulo. O ministério afirmou que "não há precedentes" para um caso em que "um presidente estrangeiro, em território nacional, faça agressões e ofensas ao Chefe de Estado" e a instituições democráticas brasileiras.

No discurso, Milei se referiu a Lula como "presidiário" e "ladrão", sem citar o presidente, e chamou o ministro do STF Alexandre de Moraes de "lixo careca". O presidente argentino também disse que o Brasil precisava se livrar do que chamou de "risco Lula" e abandonar a "submissão ao esquerdismo", ao defender a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.


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