Uma sucuri foi capturada por um jacaré no Pantanal de Mato Grosso, mas ela se enrolou no focinho do animal para se defender, impedindo que ele a matasse. O flagrante foi feito pelo guia Paulo Boute, que ficou surpreso com a cena incomum.
Por alguns instantes, a cena deixa uma dúvida: afinal, quem está atacando quem Uma sucuri foi vista enrolada no focinho de um jacaré depois de ter sido capturada pelo animal no Pantanal de Mato Grosso. O flagrante foi feito nesta terça-feira (1º) pelo guia de turismo Paulo Boute, em um trecho perto do Rio Piquiri, na região do Parque Estadual Encontro das Águas.
Nas imagens, o jacaré aparece na água carregando a sucuri perto da boca. A cobra, porém, não fica parada: ela enrola parte do corpo no focinho do predador e mantém a cabeça erguida acima da água.
- A sucuri se enrolou no focinho do jacaré para evitar ser mordida.
- O caso aconteceu perto do Rio Piquiri, no Pantanal de Mato Grosso.
- O guia Paulo Boute, com mais de 40 anos de experiência, nunca tinha visto algo assim.
- A cabeça da cobra ficou erguida como um periscópio.
- O jacaré não conseguiu matar a sucuri imediatamente por causa do enrolamento.
A reação da cobra criou uma cena incomum. Segundo Boute, o jacaré não conseguiu matar a sucuri logo depois de capturá-la porque ela se enrolou na boca dele.
"A sucuri se enrolou em volta da boca dele, evitando que ele continuasse mordendo. A cabeça dela ficou para cima, como um telescópio em um submarino", contou.
Guia experiente nunca viu nada parecido
O flagrante chamou a atenção até de quem acompanha a fauna do Pantanal há mais de 40 anos.
Boute trabalha como guia na região desde 1982, quando começou a levar turistas nos fins de semana, feriados e férias enquanto estudava Agronomia.
Mesmo depois de tantos anos observando animais no Pantanal, ele afirma que nunca tinha presenciado uma briga parecida entre um jacaré e uma sucuri. "Foi uma cena que eu não imaginava ver e que me surpreendeu muito", afirmou.
Em entrevista ao Primeira Página nesta sexta-feira (4), Boute contou que o flagrante o surpreendeu mesmo depois de mais de 40 anos trabalhando no Pantanal. Segundo ele, o jacaré conseguiu capturar a sucuri, mas a serpente reagiu ao se enrolar ao redor da boca do predador, dificultando novas mordidas.
O guia também explicou que a cabeça da cobra permaneceu erguida acima da água enquanto ela estava presa ao jacaré, formando uma das cenas mais incomuns que ele já presenciou na região.
Para o guia, situações como essa mostram como os encontros com a fauna podem fugir completamente do esperado.
Ele compara os passeios pela natureza a uma pescaria: é possível sair sem saber se será um dia comum ou se, de repente, aparecerá uma cena que nunca havia sido registrada pelos próprios observadores.
Onde aconteceu o ataque
O encontro entre a sucuri e o jacaré ocorreu pouco acima do Rio Piquiri, próximo ao ponto onde ele encontra o Rio Cuiabá.
Segundo Boute, quem segue pelo Rio Cuiabá a partir de Porto Jofre chega a uma região onde a diferença entre os dois cursos d'água pode ser percebida pela aparência da água. O Piquiri costuma apresentar água mais clara, enquanto o Cuiabá tem aspecto mais barrento.
É também nessa área que começa uma região com grande concentração de animais.
De acordo com o guia, os barrancos mais baixos permitem que jacarés subam com facilidade para as margens. As cheias também dificultam o crescimento de árvores em determinados trechos, favorecendo áreas de capim utilizadas pelas capivaras.
Com jacarés e capivaras concentrados próximos à água, a região também se torna um dos pontos com maior presença de onças-pintadas.
Foi nesse cenário de intensa movimentação da fauna que Boute acabou encontrando uma interação que, mesmo depois de mais de 40 anos no Pantanal, ainda conseguiu surpreendê-lo: uma sucuri capturada por um jacaré, mas enrolada justamente no focinho do próprio predador.

Sucuri se enrola no focinho de jacaré durante ataque no Pantanal. Foto: Reprodução/Vídeo






