Um incêndio devastador atingiu o estádio do Noroeste em Bauru durante um jogo contra o São Paulo em 1958, forçando a construção do atual Alfredão.
Em novembro de 1958, o estádio do Noroeste, localizado em Bauru, sofreu um incêndio de grandes proporções que quase causou uma tragédia. O fato ocorreu durante um jogo de futebol e ficou marcado na memória da cidade, sendo posteriormente relembrado por Pelé em sua biografia.
Quase 70 anos depois, o episódio continua a ecoar na história do futebol brasileiro e na vida de Bauru, cidade que viu o nascimento do lendário Pelé. A reconstrução do local transformou a infraestrutura esportiva da região.
- O fogo começou em 24 de novembro de 1958, durante um jogo entre Noroeste e São Paulo.
- A estrutura de madeira das arquibancadas facilitou a propagação rápida das chamas.
- Pelé mencionou o incêndio em seu livro 'Eu sou Pelé', publicado em 1961.
- Após o desastre, foi construído o atual estádio, hoje conhecido como Alfredo de Castilho.
- Nenhum torcedor morreu, graças à orientação da polícia para uma evacuação ordenada.
O relato de Pelé e a origem do fogo
A história vem à tona ao reler o livro 'Eu sou Pelé', escrito por Benedito Ruy Barbosa. O Rei do Futebol, que cresceu em Bauru antes de se transferir para o Santos, recordou um episódio que envolveu sua juventude. Ele contou que matava aulas para jogar futebol em um campo nos fundos do antigo estádio do Noroeste, que posteriormente pegou fogo durante um jogo contra o São Paulo. Para o autor do texto, esse detalhe histórico havia passado despercebido até a consulta aos jornais da época.
Como aconteceu o incêndio
Segundo a 'Folha da Noite', o fogo iniciou-se no domingo, 23 de novembro de 1958, enquanto as equipes se enfrentavam. As arquibancadas, conhecidas como 'gerais', eram feitas de madeira e foram consumidas rapidamente pelo fogo. Os bombeiros conseguiram impedir que o incêndio se alçasse a outras partes do estádio, mas algumas casas vizinhas foram danificadas. Milagrosamente, não houve mortos, pois os torcedores seguiram as orientações da polícia e saíram do local sem correrias perigosas.
Detalhes do jogo e vítimas
O incidente começou aos 25 minutos do primeiro tempo, quando o placar estava zerado. O pânico tomou conta da torcida, mas o comportamento foi elogiado pela falta de atropelos. O jornal 'O Globo' apontou que a falta de água dificultou o trabalho dos bombeiros. Vários torcedores e seguranças foram levados ao Hospital Regional de Bauru. Entre os feridos, estavam Roberto Alves de Sousa, com fratura na perna, e seguranças que também precisaram de atendimento médico. O árbitro argentino Juan Brozzi suspendeu a partida assim que percebeu a gravidade da situação.
A construção do Alfredão
Em decorrência do desastre, a cidade de Bauru iniciou as obras de um novo estádio, o Ubaldo de Medeiros, que hoje é conhecido como Alfredo de Castilho ou Alfredão. A nova arena esportiva foi inaugurada em junho de 1960, marcando a renovação do futebol local após o trágico evento de 1958.

Incêndio no estádio do Noroeste (Arquivo/Bauru Ilustrado)






