A entidade que representa os músicos de Mato Grosso (OMB/MT) se posicionou contra o projeto de lei que quer tornar opcional o pagamento do couvert artístico em bares e restaurantes de Cuiabá. Eles dizem que isso pode reduzir as apresentações ao vivo e prejudicar toda a cadeia da música e da economia noturna. A proposta tramita em regime de urgência na Câmara Municipal.
O Conselho Regional da Ordem dos Músicos do Brasil em Mato Grosso (OMB/MT) se posicionou contra o projeto de lei que pretende tornar opcional o pagamento do couvert artístico em bares, restaurantes e outros estabelecimentos de Cuiabá.
A proposta, apresentada pelo vereador Marcrean Santos (MDB), estabelece que o cliente poderá se recusar a pagar a taxa mesmo quando tiver sido informado previamente sobre a cobrança e estiver acomodado na área em que ocorre a apresentação ao vivo.
Resumo da notícia:
- O projeto de lei 282/2026 quer tornar opcional o pagamento do couvert em Cuiabá.
- O Conselho dos Músicos de MT é contra e teme que a medida reduza as apresentações ao vivo.
- Além dos músicos, a mudança pode afetar garçons, cozinheiros, técnicos de som e outros trabalhadores da noite.
- A proposta tramita em regime de urgência, o que preocupa a entidade pela falta de tempo para discussão.
- O vereador que propôs o projeto diz que quer dar mais liberdade ao consumidor.
O Projeto de Lei n.º 282/2026 também determina que o estabelecimento não poderá exigir o pagamento como condição para que o consumidor permaneça no local. O valor do couvert deverá ser fixo, sem incidir sobre o total da conta.
O texto ainda proíbe a cobrança de clientes que estejam em áreas reservadas ou em locais onde não possam aproveitar integralmente a apresentação. Também veda que consumidores sejam direcionados para áreas específicas com a finalidade de justificar ou evitar a cobrança.
Entidade teme redução das apresentações
Em nota pública, o Conselho afirmou que a mudança pode provocar impacto imediato no faturamento dos estabelecimentos que promovem música ao vivo e, consequentemente, inviabilizar parte das apresentações realizadas na capital.
Segundo a entidade, os reflexos poderiam atingir não apenas músicos e artistas, mas toda a cadeia da economia noturna, formada também por garçons, cozinheiros, técnicos de som, seguranças, produtores, motoristas de aplicativo e proprietários de bares e restaurantes.
O Conselho defende que esses profissionais sejam ouvidos antes da votação e argumenta que a discussão envolve emprego, renda, cultura e a continuidade da atividade artística em Cuiabá.
Projeto tramita em regime de urgência
Outro ponto questionado pela entidade é a tramitação da proposta em regime de urgência. O processo legislativo mostra que o projeto foi devolvido para esse tipo de tramitação no dia 30 de julho.
Para o Conselho, a urgência reduz o tempo para articulação e participação de artistas, empresários, trabalhadores e consumidores na discussão.
A entidade também acusa o vereador de reapresentar uma proposta anteriormente rejeitada, com uma nova numeração. No processo atual, a Câmara informa que localizou o Processo n.º 6771/2025, rejeitado pelo plenário em 2025, que tratava de assunto semelhante. O documento, porém, não afirma que os dois textos sejam idênticos.
Vereador defende liberdade de escolha
Na justificativa do projeto, Marcrean afirma que a proposta busca reforçar a transparência e garantir ao consumidor liberdade para decidir se deseja ou não pagar pela apresentação artística.
O vereador sustenta que a mudança não interfere na remuneração dos artistas, porque os estabelecimentos continuariam livres para promover apresentações e sugerir a contribuição dos clientes. A decisão final sobre o pagamento, no entanto, ficaria com o consumidor.
O Conselho contesta esse entendimento e convoca artistas, empresários e a população a acompanharem a tramitação e participarem da sessão da Câmara Municipal em que o projeto for analisado.

Couvert artístico deve ser apresentado com transparência pelo estabelecimento comercial. (Foto: Reprodução)






