A influenciadora Virginia Fonseca criou uma academia em Goiânia com um contrato diferente: a mensalidade vence a cada 37 dias, e não a cada 30. A ideia é dar um tempo extra para as mulheres se recuperarem dos sintomas da menstruação, como cólicas e cansaço. Uma fisioterapeuta explica por que essa atitude é tão importante e como ela pode mudar a forma como a sociedade enxerga o corpo feminino.
A influenciadora Virginia Fonseca fez algo que pode mudar para sempre a relação das mulheres com o próprio corpo e nós precisamos falar sobre isso! Ela investiu R$ 5 milhões em uma academia em Goiânia, com equipamentos importados, mais de 600 máquinas, dois andares e uma área exclusiva para o público feminino. Mas o que realmente chamou atenção foi um detalhe no contrato: a mensalidade do local não vence a cada 30 dias como de costume, mas sim a cada 37.
- A academia de Virginia Fonseca tem um contrato de 37 dias para as mulheres, em vez dos 30 dias tradicionais.
- Os 7 dias extras foram pensados para respeitar o ciclo menstrual e os dias de desconforto, como cólicas e cansaço.
- Esse modelo mostra que o corpo feminino não funciona no mesmo ritmo todos os dias e precisa de pausas.
- Pesquisas mostram que 4 em cada 10 alunas brasileiras faltam à escola por causa de dores menstruais.
- Outros países, como Japão e Espanha, já têm leis que permitem folgas para mulheres durante a menstruação.
Os sete dias extras foram pensados para contemplar o ciclo menstrual das mulheres. Virginia entendeu que as faltas devido aos desconfortos menstruais faziam as mulheres desistirem de treinar e até de continuarem frequentando a academia. Essa escolha revela que finalmente alguém percebeu que o corpo feminino não funciona em linha reta.
O que acontece com o corpo feminino durante o ciclo
A fisioterapeuta pélvica Berenice Shakti explica que durante os dias mais intensos do ciclo, que podem ocorrer antes ou durante a menstruação, muitas mulheres enfrentam alterações hormonais naturais. Essas mudanças provocam cansaço, dores lombares, dores nas pernas, cólicas, indisposição e necessidade de desacelerar. Ainda assim, a sociedade insiste em exigir produtividade contínua, como se o corpo feminino pudesse funcionar todos os dias no mesmo ritmo.
Muitas mulheres faltam à academia nesses períodos e, junto com a culpa por não conseguirem manter a frequência ideal, surge a sensação de fracasso. Aos poucos, elas desistem. Não porque sejam desleixadas ou desmotivadas, mas porque estão tentando sustentar um ritmo incompatível com a própria biologia.
O poder do contrato de 37 dias
Ao criar um contrato de 37 dias, Virginia enviou uma mensagem simbólica, mas extremamente poderosa: o corpo feminino merece ser respeitado em sua ciclicidade. O resultado é que se a mulher descansa nos dias que o corpo pede pausa, ela continua, volta a treinar e nos dias seguintes rende ainda mais. Ou seja, respeitar o ciclo não reduz o desempenho, pelo contrário, favorece a constância.
Se a empresa de uma grande influenciadora entendeu isso, por que a escola, por exemplo, ainda não entendeu
O impacto nas escolas
Uma pesquisa recente do Instituto Alana em parceria com o Equidade.info mostrou que 4 em cada 10 alunas brasileiras faltam ao colégio por causa de dores menstruais. Isso representa aproximadamente 3,6 milhões de meninas em todo o país. O levantamento também aponta que 12% das professoras se ausentam mensalmente pelo mesmo motivo e que mais da metade das adolescentes relatam cólicas moderadas ou intensas. Mesmo assim, muitas seguem indo para a escola com dor, náusea, exaustão e desconforto, porque a lógica ainda é a da obrigação absoluta: falta é falta.
O corpo não deixa de sentir só porque o sistema decidiu ignorá-lo.
Exemplos de outros países
Alguns países já avançaram nessa discussão. Japão, Espanha, Coreia do Sul, Taiwan, Indonésia e Zâmbia possuem políticas relacionadas à licença menstrual. No Brasil, a PL 1249/2022, que propõe afastamento remunerado para trabalhadoras CLT durante o período, ainda segue em análise no Senado Federal.
Enquanto políticas públicas mais amplas não chegam, talvez o primeiro passo seja justamente esse: mudar nossa forma de enxergar o corpo feminino. Entender que diminuir o ritmo em determinados dias não significa fraqueza, mas autocuidado. E que acolher o próprio corpo pode ser exatamente o que permite voltar depois com mais energia, saúde e permanência.

Berenice Shakti







