Governo Lula aposta em ser prático após vitórias da direita na América Latina

Curtinhas política 30/06/2026 09:45 Agência Brasil, Jovem Pan jovempan.com.br

A eleição de políticos de direita Keiko Fujimori, no Peru, e Abelardo De La Espriella, na Colômbia, deixou o Brasil ainda mais sozinho na América do Sul. O governo brasileiro agora vai focar em parcerias práticas, como obras e energia, sem se preocupar tanto com diferenças políticas.

O governo brasileiro está apostando em uma relação de parceria com os países vizinhos da América Latina que têm líderes de direita ou extrema-direita. A ideia é focar em temas práticos, que não dependam de ideologia, como estradas, energia, combate ao crime organizado e ajuda em desastres naturais.

A vitória de Keiko Fujimori, no Peru, e de Abelardo De La Espriella, na Colômbia, junto com as eleições de representantes de direita no Chile, Equador e Bolívia no ano passado, deixaram o Brasil mais isolado na América do Sul. Hoje, o Brasil e o Uruguai são os únicos países da região que representam o campo progressista.

  • O governo brasileiro quer fazer parcerias práticas com países de direita, focando em obras e energia.
  • As vitórias de Keiko Fujimori (Peru) e Abelardo De La Espriella (Colômbia) isolaram o Brasil na América do Sul.
  • A única exceção nas relações é o presidente da Argentina, Javier Milei, que tem uma postura mais hostil ao Brasil.
  • O Brasil quer investir em estradas que liguem os oceanos Pacífico e Atlântico.
  • Parcerias na área de energia devem aumentar por causa da guerra no Irã.

Para o governo brasileiro, a situação atual na região não deve atrapalhar as relações entre Brasil e Peru, Equador, Chile, Colômbia e Bolívia. A única exceção seria o presidente da Argentina, Javier Milei, que tem mostrado uma posição mais agressiva contra o governo do Brasil.

Nos outros casos, o governo acredita que os interesses práticos de cada país vão falar mais alto do que as diferenças políticas. Um bom exemplo são as parcerias para fazer estradas que possam ligar o oceano Pacífico ao oceano Atlântico, o que ajudaria o comércio entre os países.

Parcerias na área de energia também devem continuar e até crescer, ainda mais depois da guerra no Irã, que mostrou como o mundo depende de energia e pode ser afetado por conflitos.

Um exemplo disso é o interesse do presidente do Chile, José António Kast, em ter uma reunião com o presidente Lula (PT) durante a cúpula do Mercosul, que vai acontecer ainda esta semana.

Meio ambiente entre Brasil e Colômbia

Por outro lado, o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Goulart Menezes, alerta que, mesmo que as relações continuem, a situação política na América do Sul é complicada por causa do perfil dos líderes de extrema-direita.

Ele disse que não estamos mais falando de governos de direita comuns. Na Colômbia, por exemplo, o novo presidente não tem o perfil da direita tradicional colombiana. O professor acredita que a Colômbia, que antes equilibrava o afastamento da Argentina nas relações com o Brasil, agora pode dificultar a cooperação na proteção do meio ambiente entre os dois países.

O governo brasileiro está confiante de que as relações com os países vizinhos vão continuar boas, mas reconhece que uma cooperação em grupo, com todos os países da região, se tornou mais difícil.

Isso porque a vitória de candidatos que seguem a política dos Estados Unidos atrapalha a criação de uma agenda regional sem a autorização do presidente americano, Donald Trump.

Com isso, fóruns como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que o Brasil tentou fortalecer, podem ficar vazios. Por outro lado, o governo brasileiro acredita que o Mercosul deve continuar sendo um fórum regional importante, porque é um bloco mais organizado, focado em comércio, que interessa a governos de todas as ideologias.


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