A Academia Brasileira de Cinema premiou os filmes 'O Agente Secreto' e 'Manas' como melhores do ano no Grande Otelo. 'Homem com H' levou mais prêmios, incluindo melhor ator para Jesuíta Barbosa. Denise Weinberg, Dira Paes e Rodrigo Santoro também foram destaques.
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Academia Brasileira de Cinema elegeu "O Agente Secreto" e "Manas" como melhores filmes, em um empate na categoria principal do Prêmio Grande Otelo, antigo Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, que completa 25 anos. A premiação, uma das mais importantes do cinema nacional, aconteceu na noite desta terça-feira (4), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
- "O Agente Secreto" e "Manas" dividiram o prêmio de melhor filme.
- "Homem com H" foi o mais premiado, com 6 estatuetas.
- Denise Weinberg venceu como melhor atriz por "O Último Azul".
- Jesuíta Barbosa levou o prêmio de melhor ator por "Homem com H".
- Rodrigo Santoro e Dira Paes venceram como coadjuvantes.
"O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, recebeu 18 indicações, mas não foi a produção com mais estatuetas da noite. "Manas", de Marianna Brennand, superou o longa de Mendonça Filho por uma categoria, faturando cinco prêmios, incluindo o de direção.
Os dois filmes tiveram um embate no ano passado, quando disputaram uma vaga para o Brasil no Oscar. "O Agente Secreto" acabou representando o país na premiação americana.
Declarações e Homenagens
"Há um ar sudestino que precisamos dissipar na Academia Brasileira de Cinema", disse Mendonça Filho, ao receber a estatueta no palco. Ele ainda elogiou a performance de Wagner Moura, que protagoniza seu filme.
A produção mais premiada durante a cerimônia, porém, foi "Homem Com H", cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho que venceu seis estatuetas - incluindo o prêmio do público e o de melhor ator para Jesuíta Barbosa, que encarna o cantor.
A cerimônia começou, inclusive, com uma apresentação de Matogrosso da música "O Tempo Não Para", de Cazuza. Em seguida, Marieta Severo e sua filha, Silvia Buarque, assumiram a apresentação do evento. Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, dedicou a noite a Luiz Carlos Barreto, um dos maiores produtores do cinema brasileiro, morto no final de julho.
Outros Vencedores
Já Denise Weinberg, consagrada no teatro, foi eleita melhor atriz por "O Último Azul", filme vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. O papel é o seu primeiro como protagonista no cinema.
Também com "O Último Azul", Rodrigo Santoro venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante, e Dira Paes foi coroada na versão feminina da categoria, por "Manas". "Espero que a gente nunca mais precise de uma retomada", disse Santoro, no palco, sobre o bom momento do cinema brasileiro com a projeção internacional de "Ainda Estou Aqui" e "O Agente Secreto".
Fernanda Montenegro protagonizou "Velhos Bandidos", eleito melhor filme de comédia. Claudio Torres, seu filho e diretor do longa, não conseguiu comparecer à premiação, mas escreveu uma carta que foi lida no palco pela produtora Juliana Capelini. Segundo ele, "Velhos Bandidos" foi concebido graças a presença e empolgação de sua mãe. Ary Fontoura, que protagoniza o longa ao lado de Fernanda, subiu ao palco para agradecer a estatueta.
Premiados em Séries e Documentários
"Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente", série da HBO com Johnny Massaro e Bruna Linzmeyer, foi coroada a melhor do ano. A trama mostra como comissários de bordo contrabandeavam medicamentos nos anos 1980 para salvar pacientes com Aids no Brasil.
"Apocalipse nos Trópicos", de Petra Costa, foi eleito melhor documentário. O longa mostra a influência das igrejas evangélicas e de pastores nas decisões políticas tomadas em Brasília.

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