Afastamento ocorre após polêmica nomeação no interior
Por Samir Machado
A tenente-coronel Izadora Ledur foi oficialmente exonerada, nesta quinta-feira, 13 de novembro de 2025, do cargo de comandante regional adjunta do 5º Comando Regional da Polícia Militar, com sede em Barra do Garças (MT). A decisão, publicada no Diário Oficial do Estado, encerra uma breve e conturbada passagem da oficial pelo alto escalão da segurança pública na região leste mato-grossense, após meses de intensa pressão popular e questionamentos jurídicos.
A medida do Governo de Mato Grosso surge como uma resposta direta à repercussão negativa que cercou sua nomeação, ocorrida no final do ano passado, trazendo de volta ao debate público o trágico "Caso Rodrigo Claro".
O Peso do Passado e a Pressão das Ruas
A trajetória de Izadora Ledur na instituição é marcada pela sombra da morte do aluno-bombeiro Rodrigo Claro, em 2016, durante um treinamento de salvamento na Lagoa Trevisan, em Cuiabá.
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O Histórico Jurídico: Ledur foi condenada pela Justiça Militar pelo crime de maus-tratos contra o jovem, embora tenha sido absolvida da acusação de tortura. Mesmo após a condenação e de ter tido pedidos de promoção barrados em momentos anteriores, sua designação para um cargo de comando em Barra do Garças foi vista como uma afronta por entidades de direitos humanos e pela família da vítima.
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A Reação da Família: "A permanência de Ledur em cargos de comando era um acinte à memória do meu filho e um desrespeito a toda a sociedade mato-grossense", desabafou Jane Claro, mãe de Rodrigo, em diversas ocasiões após a nomeação da oficial.
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O Desgaste Político: Fontes do Palácio Paiaguás indicam que a manutenção da tenente-coronel no posto tornou-se "insustentável" diante da necessidade do governo de manter uma imagem de rigor ético e respeito aos direitos fundamentais dentro das forças de segurança.
A Ética do Comando Não Admite a Sombra dos Maus-Tratos
A exoneração de Izadora Ledur do comando adjunto em Barra do Garças não é apenas um ato administrativo; é uma vitória — ainda que tardia e incompleta — da moralidade pública.
O Estado Democrático de Direito não sobrevive apenas de leis, mas de exemplaridade. Como pode um oficial PM exercer autoridade e comando sobre tropas — e sobre o cidadão comum — se carrega em seu currículo a mancha de ter abusado da "disciplina" a ponto de ceifar uma vida jovem? O argumento de que "ela já cumpriu a pena" ou de que "tecnicamente está apta" é o refúgio dos cínicos. O comando exige mais do que técnica; exige autoridade moral.
Mato Grosso tem assistido, em diversos episódios recentes que relatei aqui — desde o controle de facções no cárcere até o sequestro para "disciplina" em Várzea Grande —, a um desafio constante à soberania do Estado. Quando o próprio Estado hesita em punir ou afastar de cargos de poder aqueles que desonraram a farda, ele envia um sinal perverso: o de que o abuso é tolerável.
A decisão de hoje corrige um erro político e ético grosseiro. Barra do Garças e o 5º Comando Regional merecem lideranças que não precisem explicar condenações por maus-tratos em seus históricos. A defesa da democracia e da segurança pública passa, obrigatoriamente, pelo expurgo de qualquer resquício de tortura ou tratamento degradante disfarçados de "treinamento militar". Que esta exoneração seja definitiva no que tange a cargos de confiança e comando, pois a memória de Rodrigo Claro e o respeito à farda da Polícia Militar assim o exigem.

A Major do corpo de bombeiros Izadora Ledur de Souza Dechamps foi exonerada do cargo de comandante regional.





