A CPTM informou que a greve dos ferroviários não está seguindo a determinação da Justiça do Trabalho, que exigia pelo menos 80% dos funcionários nos horários de pico e 60% nos demais. A empresa afirma que a operação está abaixo do mínimo e que a paralisação prejudica milhares de passageiros.
A CPTM afirmou, nesta terça-feira, que o número de funcionários nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que estão com greve de trens, está abaixo do que foi determinado pela Justiça. O presidente da CPTM, Michael Cerqueira, disse que um oficial de justiça está acompanhando a operação desde as 4h da manhã para verificar se o percentual está sendo cumprido, e adiantou que não está.
- A Justiça exigia 80% dos funcionários nos horários de pico e 60% nos demais, mas a CPTM diz que só 67% compareceram.
- Dos 126 maquinistas escalados para a manhã, apenas 3 apareceram para trabalhar.
- A linha 13-Jade está totalmente parada, assim como o Expresso Aeroporto.
- Os trabalhadores pedem a reestatização das linhas e a garantia de que não serão demitidos após a concessão.
- O Metrô reforçou a operação de algumas linhas para ajudar os passageiros durante a greve.
Na segunda-feira, depois do anúncio da greve, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que as três linhas precisavam ter, pelo menos, 80% dos funcionários nos horários de pico e 60% nos outros períodos. Se não cumprissem, o sindicato pagaria uma multa de R$ 400 mil por dia.
A CPTM disse que, no horário de pico da manhã, o efetivo foi de apenas 67% nas três linhas. Dos 126 maquinistas que deveriam trabalhar, só três compareceram.
A empresa escalou 21 supervisores para dirigir os trens 18 na linha 11 e seis na linha 12. Mesmo assim, só 15 trens funcionaram na linha 11 e outros quatro na linha 12. Em condições normais, a linha 11 teria 31 trens e a linha 12, 24 trens.
O que os grevistas querem
Os funcionários pedem a reestatização das três linhas, que foram passadas para a iniciativa privada, e também querem a garantia de que não serão demitidos depois que a concessionária TriviaTrens assumir o serviço.
Eles afirmam que 2.300 pessoas podem perder o emprego se não forem absorvidas pela nova empresa.
Os grevistas também defendem um projeto de lei do deputado federal Guilherme Cortez (PSOL) que permitiria a contratação dos funcionários da CPTM por órgãos públicos estaduais.
Desde o dia 24, as três linhas voltaram a ser operadas pela CPTM por decisão do governo de São Paulo. A companhia vai ficar responsável pelo serviço por 90 dias, depois que a TriviaTrens assumiu, mas apresentou problemas.
Em uma das falhas, no dia 23 de julho, um incêndio começou em um trem perto da estação Bresser-Mooca, causando transtornos para os passageiros.
O que dizem o governo de SP e a CPTM
A CPTM e o governo de São Paulo afirmam que, durante as negociações, se comprometeram a manter os empregos e analisar propostas de projetos de lei de interesse dos trabalhadores, como a absorção dos funcionários por outros órgãos públicos, a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e a inclusão dos trabalhadores no Iamspe, o sistema de saúde dos servidores estaduais.
O governo lamentou a paralisação e disse que ela não ajuda nas negociações, e que o único efeito é prejudicar as pessoas que dependem do trem. Consideram inaceitável que a categoria use a população como forma de pressão política.
A CPTM recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho, que determinou a operação com 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais. Se não cumprir, o sindicato terá que pagar multa diária de R$ 400 mil.
Medidas para reduzir o impacto
A CPTM colocou em prática um plano de contingência, priorizando os trechos com mais passageiros. A linha 11-Coral está funcionando parcialmente, entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases.
Na linha 12-Safira, os trens circulam entre as estações Brás e Engenheiro Goulart. A linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto estão parados. As linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa estão operando normalmente.
- Linha 10-Turquesa: operação normal (não faz parte da greve)
- Linha 11-Coral: operação parcial (interrompida entre as estações Estudantes e Guaianazes)
- Linha 12-Safira: operação parcial (interrompida entre as estações Calmon Viana e Engenheiro Goulart)
- Linha 13-Jade: paralisada
Metrô com operação especial
Para ajudar os passageiros, o Metrô abriu mais cedo, às 4h, as estações das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata (monotrilho).
A linha 3-Vermelha, que atende parte da zona leste e faz integração com as linhas afetadas, ganhou mais trens circulando. Também estão sendo feitas manobras em estações estratégicas para aumentar o número de viagens nos trechos mais cheios.
O Metrô informou que pode enviar trens vazios para estações com muita gente, para agilizar o embarque e diminuir o tempo de espera.
Há reforço de funcionários nas estações Corinthians-Itaquera, Tatuapé, Brás e Palmeiras-Barra Funda, além de outros pontos de maior movimento, para orientar os passageiros.
As linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda também estão com mais equipes, segurança reforçada e monitoramento contínuo.
A TIC Trens, que opera a linha 7-Rubi, reforçou o atendimento na estação Palmeiras-Barra Funda e está usando o máximo de trens nos horários de pico. As linhas intermunicipais da região também tiveram reforço na frota.
Impacto no comércio
A Associação de Lojistas do Brás (Alobrás) afirmou que a greve prejudica o comércio da região, porque 70% dos trabalhadores vêm da zona leste ou da região metropolitana.
O vice-presidente da Alobrás, Lauro Pimenta, disse que as lojas estão perdendo vendas, principalmente na semana do Dia dos Pais, quando recebem excursões de todo o Brasil. Ele lamenta que, mais uma vez, não há funcionários suficientes para atender aos clientes.

Trem da CPTM





