Daniel Vorcaro investigou a vida pessoal da jornalista Malu Gaspar

Brasil Investigação 02/07/2026 10:20 Acir Pauta Diária pautadiaria.com.br

Documentos da Polícia Federal mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro e seu sócio Thiago Miranda tentaram encontrar informações pessoais contra a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, para tentar fazê-la parar de investigar o caso Master/BRB. Eles reviraram a vida dela, mas não encontraram nada de errado.

Os autos da investigação relacionada ao caso Master/BRB vão muito além de contratos, balanços, operações financeiras e documentos bancários. O conjunto de provas reunido pela Polícia Federal também tem milhares de mensagens, arquivos digitais, fotografias, vídeos e conversas retirados dos aparelhos eletrônicos apreendidos durante as investigações.

  • Banqueiro Daniel Vorcaro disse que precisava 'frear' a jornalista Malu Gaspar.
  • Sócio Thiago Miranda contratou uma equipe para revirar a vida pessoal da jornalista.
  • Eles procuraram processos na Justiça, multas de trânsito e outros dados, mas não acharam nada.
  • Depois de não encontrarem nada, tentaram contratar a jornalista para ela parar de investigar.
  • Conversas foram obtidas pela Polícia Federal e mostram o plano de 'amordaçar' a imprensa.

A caça, na tentativa de enquadrar a jornalista Malu Gaspar e outros, deixou revelados, nos diálogos retirados dos celulares de Daniel Vorcaro e do empresário Thiago Miranda, métodos enganosos para calar a jornalista. Esse material, colocado no processo judicial, permite acompanhar, quase em tempo real, os bastidores das conversas dos investigados. São diálogos salvos pela perícia, organizados por data e anexados aos autos, formando um conjunto forte de informações explosivas.

O nome da jornalista aparece nas conversas

É nesse universo de documentos que um nome começa a aparecer com frequência: o da jornalista Malu Gaspar. Ao longo das conversas do banqueiro Daniel Vorcaro e do empresário Thiago Miranda, a colunista do jornal O Globo é citada várias vezes. Reportagens são comentadas quase na hora em que são publicadas. Perguntas enviadas pela equipe da jornalista circulam entre eles. Há referências a documentos com seu nome, avaliações sobre sua cobertura e discussões sobre possíveis estratégias de comunicação diante das reportagens que estavam sendo feitas contra o banqueiro.

Nada disso vem de relatos de outras pessoas. São registros que, segundo os próprios autos, foram retirados dos aparelhos eletrônicos apreendidos, passaram pela perícia técnica da PF e foram colocados no processo investigativo.

O monitoramento da cobertura jornalística

A sequência dessas mensagens mostra que a cobertura do caso era acompanhada o tempo todo pelos interlocutores. O material mostra conversas sobre notícias já publicadas, reportagens sendo preparadas, contatos feitos por integrantes da equipe da jornalista e avaliações sobre os possíveis resultados da cobertura, além de insinuações envolvendo o nome do também banqueiro André Esteves.

Em um dos primeiros registros, Daniel Vorcaro mostra preocupação com a continuidade da investigação. 'Agora tenho que frear a Malu Gaspar', escreve. Poucos segundos depois, reforça: 'É quem vai dar trabalho próximos dois dias.'

Thiago Miranda responde informando que conhecia pessoas do círculo da jornalista. 'O namorado dela é amigo de uma amiga minha.' Em seguida, acrescenta: 'Vamos ver o que ela vai te questionar.'

As conversas continuam mostrando o avanço da cobertura.

A ordem de revirar a vida pessoal

Após uma reportagem publicada, Daniel Vorcaro comenta: 'Vamos ter que tentar pegar algo dessa mulher no pessoal.' A resposta de Thiago Miranda é imediata: 'Exatamente. Ela joga baixo. Vou revirar a vida dela.' Logo depois, acrescenta: 'Alguma coisa vamos achar.'

Mais adiante, as mensagens mostram novas atualizações sobre essa investigação. 'Meu time está atrás. Precisamos achar algo.' Em seguida: 'Cheguei a processos dela de 1992, por exemplo.' E conclui: 'Nem multa na CNH dela encontrei.'

Outro trecho dos autos mostra que a cobertura da jornalista continuava no centro das preocupações. 'Malu vem batendo nisso.' Na sequência dessa mensagem, circula entre eles um resumo dos principais questionamentos levantados pela jornalista sobre a operação envolvendo o Banco Master e o BRB, incluindo riscos financeiros, transparência da negociação, benefícios da operação e aspectos regulatórios.

A devassa na vida da jornalista

A devassa na vida da jornalista foi tão grande que chama a atenção o criminoso pente fino na vida financeira da colunista. Para terminar numa conclusão clara: 'realmente meu amigo, não tem absolutamente NADA.'

Mas o monitoramento continua. Sem conseguir 'parar' a jornalista, surge a ideia de contratar a colunista.

A tentativa de contratar a jornalista

Entre os arquivos apreendidos pela Polícia Federal, aparece um documento identificado como 'Carta Proposta Malu Gaspar'. As mensagens seguintes indicam novas conversas sobre esse tema. 'Acontece o drible do ano.' 'Marquei outro papo com ela às 16h.' Depois: 'Falei com ela.' E ainda: 'Não vou formalizar nada por WhatsApp.'

Os diálogos prosseguem até o fim de abril e as tratativas com a jornalista irritam o banqueiro.

Em 28 de abril, Daniel Vorcaro pergunta: 'Vc deu o prazo, Malu' Thiago Miranda responde: 'Não. Falei nada com eles.' Na mesma sequência, afirma: 'A Malu eu tenho certeza que não desconfia absolutamente de nada.' Poucos instantes depois, surge uma mensagem da equipe da jornalista: 'Oi, Guilherme, boa tarde. Tudo bem Aqui é o Johanns Eller, da coluna da Malu Gaspar, no Globo.' Na sequência, é enviado o pedido de posicionamento para uma reportagem sobre investigações envolvendo o Banco Master.

Daniel Vorcaro reage: 'Olha que filha da puta.' Thiago Miranda responde: 'Que FDP. Ela não para.' E pergunta: 'Até onde ela quer ir' Daniel Vorcaro encerra a sequência com uma frase que também está nas mensagens anexadas aos autos: 'Quer sangrar enquanto houver sangue.'


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