Servidora perde emprego no Itamaraty após ter sua cor de pele negada por banca

Brasil Racismo 24/05/2026 19:52 Redação bahianoticias.com.br

Uma funcionária pública que passou em um concurso para trabalhar no Itamaraty, em Brasília, foi demitida depois que uma banca avaliadora não aceitou que ela se declarasse como uma pessoa parda (negra). Ela tem medo de não conseguir se manter na cidade. A situação gerou polêmica sobre como o Brasil define quem é negro e quem sofre preconceito racial.

A internacionalista Flávia Medeiros, de 29 anos, disse que está com medo de continuar morando em Brasília depois de ser demitida do Ministério das Relações Exteriores na última sexta-feira (22). Ela trabalhava como oficial de chancelaria havia dois meses, depois de passar em um concurso público.

  • Flávia passou em um concurso e foi demitida após 2 meses por causa de sua cor de pele.
  • Ela se declara parda (negra), mas a banca disse que ela tem 'pele clara, cabelos lisos e traços finos'.
  • A própria banca do Itamaraty a escolheu para ser secretária do Comitê de Igualdade Racial.
  • A Justiça já mudou de ideia duas vezes: primeiro deixou ela tomar posse, depois mandou demiti-la.
  • Ela se mudou de Vitória para Brasília e agora não sabe como vai se sustentar enquanto espera a decisão final da Justiça.

A demissão aconteceu porque a banca de heteroidentificação (que verifica se a pessoa é realmente negra ou parda) do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos não aceitou a autodeclaração de Flávia como mulher parda.

Segundo Flávia, ela sempre se sentiu uma pessoa negra e acha que uma comissão não pode decidir quem sofre ou não preconceito racial no Brasil. Ela disse: 'O racismo no Brasil é cruel e muitas vezes escondido. As experiências de preconceito não acontecem da mesma forma para todo mundo'.

A internacionalista também contou que o próprio Itamaraty a reconheceu como negra ao escolhê-la para fazer parte do Comitê Étnico-Racial da instituição como secretária-adjunta.

De acordo com a banca avaliadora, Flávia foi rejeitada porque tem 'pele clara, cabelos lisos e traços finos'. Depois de tentar todos os recursos possíveis, ela foi para a Justiça Federal.

O que a Justiça decidiu

Em primeira instância, a Justiça disse que a decisão da comissão tinha erros e permitiu que ela tomasse posse no cargo. Mas depois, em segunda instância, os juízes anularam essa decisão. Eles entenderam que a Justiça só deveria garantir que ela continuasse participando do concurso, e não que pudesse assumir o cargo.

Por causa dessa nova decisão, Flávia foi demitida do emprego. Ela disse que se mudou para Brasília depois de sair de um emprego estável em Vitória, no Espírito Santo. Agora, a situação financeira da família está difícil enquanto ela espera o fim do processo na Justiça.


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