Nova fase da operação Compliance Zero revela infiltração na PF, ameaças e hackers

Brasil Crime 14/05/2026 16:30 Fernando Keller jovempan.com.br

A 6ª fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras do Banco Master, prendeu 7 pessoas nesta quinta-feira. A investigação descobriu dois grupos criminosos: um que fazia ameaças e perseguições presenciais, e outro formado por hackers que invadiam sistemas e celulares. Um policial federal preso usava seu cargo para conseguir informações secretas para a quadrilha.

A 6ª fase da Operação Compliance Zero, realizada nesta quinta-feira (14), cumpriu 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Essa nova etapa investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e uma organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro, que foi preso hoje. O objetivo é aprofundar as investigações sobre um grupo suspeito de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos eletrônicos.

  • A quadrilha tinha dois grupos: um para ameaças presenciais e outro para crimes digitais
  • Um policial federal da ativa foi preso por passar informações secretas para os criminosos
  • Os hackers do grupo recebiam até R$ 35 mil por mês para invadir sistemas
  • Pai de Daniel Vorcaro comandava as ações de intimidação contra desafetos
  • A Justiça já bloqueou bens dos suspeitos no valor de R$ 27,7 bilhões

Henrique Vorcaro era uma liderança na organização e comandava o núcleo chamado 'A Turma', que fazia ameaças presenciais. Ele pedia diretamente serviços criminosos, como perseguições e obtenção de dados de pessoas que consideravam inimigas.

Presos do núcleo 'Os Meninos'

O grupo 'Os Meninos' era o braço digital da quadrilha. Sob o comando de Felipe Mourão (conhecido como 'Sicário'), eles realizavam ataques pela internet, invadiam computadores e celulares, derrubavam perfis em redes sociais e faziam monitoramento ilegal.

David Henrique Alves: Líder do grupo digital. Era pago com cerca de R$ 35 mil por mês. Foi preso quando tentava fugir com vários computadores e notebooks no carro.

Victor Lima Sedlmaier: Ajudante de David. Depois que David fugiu, Victor foi até a casa dele com um caminhão de mudança para tentar esconder provas.

Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos: Fazia serviços técnicos para David, como pagar boletos e comprar domínios de internet para os crimes. Também ajudou a esvaziar a casa de David.

Presos do núcleo 'A Turma'

O grupo 'A Turma' era o braço que agia pessoalmente, fazendo ameaças, intimidações e conseguindo informações secretas de forma ilegal.

Manoel Mendes Rodrigues: Líder do grupo no Rio de Janeiro. Era o executor das ameaças e perseguições contra pessoas que o grupo queria intimidar.

Anderson Wander da Silva Lima: Policial federal da ativa que trabalhava infiltrado na corporação. Ele usava seu acesso a sistemas da polícia para consultar dados secretos e repassar para os chefes do grupo, recebendo dinheiro e presentes em troca.

Sebastião Monteiro Júnior: Policial federal aposentado. Usava técnicas para não ser descoberto, como celular com número internacional e mensagens que desaparecem.

Participação de mais policiais

A investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) revelou que mais policiais federais, da ativa e aposentados, ajudavam o grupo a ter acesso ilegal a sistemas do governo para proteger os criminosos.

Valéria Vieira Pereira da Silva (Delegada da PF) e Francisco José Pereira da Silva (Agente da PF aposentado): Casal que agia junto para não deixar rastros. Valéria acessou um inquérito policial que não era da sua área e passava as informações para o marido, que repassava para outros criminosos.

Marilson Roseno da Silva (Policial federal aposentado): Líder do núcleo 'A Turma'. Recebia ordens do comando central para fazer ameaças e conseguir dados do governo. Mesmo depois de ser preso em março, continuou recebendo informações sobre investigações.

Outras fases da operação

Na 5ª fase da Compliance Zero, no dia 7, foi cumprido um mandado de prisão temporária e 10 mandados de busca. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) está entre os investigados.

Na 4ª fase, em 16 de abril, foram presos o ex-presidente do banco público do Distrito Federal, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso desde o início de março.

Nas primeiras quatro fases, a PF cumpriu 96 mandados de busca em seis estados. A Justiça mandou bloquear bens dos suspeitos até o limite de R$ 27,7 bilhões.


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