França libera R$ 5,8 bilhões para salvar fazendas destruídas pelo calor

Agronegócio França 04/09/2026 09:19 Reuters cnnbrasil.com.br

Governo francês anuncia pacote de 1 bilhão de euros para ajudar agricultores após perdas recordes por seca e ondas de calor que atingiram as lavouras em 2026.

A França anunciou nesta sexta-feira (4) a liberação de mais de 1 bilhão de euros (equivalente a US$ 1,16 bilhão) para ajudar agricultores e pecuaristas. O valor faz parte de um pacote de emergência após as ondas de calor e secas recordes que ocorreram no verão deste ano. Esses eventos climáticos devastaram as lavouras, destruíram pastagens e comprometeram o abastecimento de água para a produção agropecuária do país.

Essa medida surge em um momento delicado para o governo, que está elaborando o orçamento político para o próximo ano. A prioridade de Paris é manter o déficit público sob controle, especialmente antes da eleição presidencial de 2027, o que torna o investimento ainda mais significativo.

  • O governo investirá 1 bilhão de euros para compensar as perdas climáticas de 2026.
  • 520 milhões de euros serão liberados de imediato para emergências na lavoura.
  • As perdas totais dos produtores franceses podem ultrapassar 10 bilhões de euros.
  • A safra de milho é a mais atingida, com projeção de queda de até 50% na produção.
  • Uma nova onda de calor com temperaturas de 40°C é esperada para o sul do país.

"Um bilhão de euros representa um esforço massivo dado o atual contexto orçamentário", afirmou a ministra da Agricultura, Annie Genevard. Ela explicou que a situação é tão grave que exige uma resposta forte do Estado para evitar o colapso do setor rural.

Metade do pacote, correspondente a 520 milhões de euros, será liberada imediatamente. O objetivo é ajudar os agricultores a lidarem com os danos provocados pelo clima extrema e garantir a sobrevivência das atividades no curto prazo.

O principal sindicato de agricultores da França, a FNSEA, declarou que os produtores tiveram perdas de produção superiores a 10 bilhões de euros. Os setores de pecuária e de cultivos agrícolas estimam que cada um deles sofreu perdas em mais de 5 bilhões de euros. Para Genevard, o foco imediato é gerenciar essa emergência econômica.

Além do pagamento direto, o plano cria um fundo de recuperação de 235 milhões de euros. Esse recurso servirá para ajudar as fazendas a comprarem sementes, ração para animais e insumos de plantio, já que as secas deixaram os solos extremamente áridos. A ministra reforça que cerca de 30 mil a 35 mil fazendas estão em dificuldades financeiras severas.

Recursos extras para alugar custos e impostos

O pacote inclui também outras medidas de alívio financeiro. Entre elas, há a redução do imposto territorial, auxílio com os pagamentos de seguridade social e um subsídio específico para combustível agrícola, reduzindo os custos operacionais das propriedades.

O Ministério das Finanças alertou que o clima seco e quente deste verão pode impactar o crescimento econômico do país. A projeção é de uma perda de 0,1 ponto percentual no PIB, causada diretamente pela queda nas receitas agrícolas.

Apesar da ajuda do governo, o alerta climático continua. Uma nova onda de calor é esperada para a semana atual na França, que é o maior produtor agrícola da União Europeia, o que pode agravar ainda mais a situação das lavouras.

A pior safra de milho na história do país

As condições das lavouras de milho na França pioraram ainda mais na última semana, atingindo uma nova mínima histórica. Esses dados foram divulgados nesta sexta-feira pela FranceAgriMer, entidade pública ligada ao Ministério da Agricultura responsável por gerenciar o setor agrícola e pesqueiro.

O relatório estima que apenas 27% da safra de milho grão estava em boas ou excelentes condições no dia 31 de agosto. Esse índice é ainda menor que os 28% registrados na semana anterior. É a pior marca desde o início do histórico do órgão, em 2011, contrastando fortemente com os 62% vistos no mesmo período do ano passado.

Entre os cereais, o milho é a cultura que mais sofre com os eventos climáticos extremos. Isso ocorre porque o verão europeu coincide com o pico do ciclo vegetativo da planta, momento em que ela mais precisa de água e clima ameno para se desenvolver.

O Ministério da Agricultura da França projetou uma queda de 35% na produção de milho em relação ao ano anterior. Analistas estimam que a colheita possa despencer cerca de metade, atingindo o menor nível desde 1976, há quase 50 anos.

A nova queda na classificação das lavouras ocorreu mesmo com as chuvas e temperaturas mais amenas da semana passada. No entanto, o clima quente e seco voltou a predominar, com temperaturas previstas para alcançar 40°C em algumas regiões do sul do país.

Os agricultores já iniciaram a colheita de milho em grão, com 3% da área colhida até segunda-feira (31 de agosto), segundo a FranceAgriMer. Esse ritmo atual supera a média histórica de 5 anos para o mesmo período, que é de apenas 1%.


Chama no Zap

(66) 98408-0740