Be8 aposta em nova fábrica no sul do Brasil para gerar mais renda aos produtores de trigo

Agronegócio Biocombustível 04/09/2026 08:57 Ronaldo Luiz / AgFeed agfeed.com.br Esteio RS

Maior produtora de biodiesel do país, a Be8 inaugura uma nova unidade em Passo Fundo (RS) em 2027. A planta usará grãos de trigo e triticale para criar etanol, ração para animais e outros produtos, aumentando a renda dos agricultores locais e reduzindo a dependência de energia importada, com previsão de crescimento de 15% no faturamento.

Localizada em Esteio (RS), a Be8 é a maior produtora de biodiesel do Brasil. A empresa possui unidades em diversos estados brasileiros e também possui operações na Suíça e no Paraguai. Apesar dessa expansão internacional, a companhia mantém suas raízes no Rio Grande do Sul, onde sua sede fica instalada em Passo Fundo.

Por isso, a presença da empresa na Expointer, a principal feira agropecuária do Sul do Brasil, realizada recentemente em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, tem um significado simbólico. A Be8 montou uma casa própria no evento pela primeira vez neste ano, reforçando seu vínculo com o setor agrícola gaúcho.

  • Inovação no Sul: A nova fábrica em Passo Fundo transformará grãos de trigo e triticale em energia limpa e comida para animais.
  • Boom de Investimentos: O projeto tem custo estimado de R$ 1,5 bilhão e deve estar pronto no começo de 2027.
  • Novos Renda: A empresa prevê que o consumo de uma farinha rica em proteína (DDG) vá de 9 milhões para 10,8 milhões de toneladas até 2030.
  • Autossuficiência: A produção local de etanol reduzirá a necessidade de importar combustível de outros estados para o RS.
  • Sustentabilidade: Um subproduto do processo, o CO2, será vendido para indústrias, evitando que esse gás vá para a atmosfera.

Essa participação na feira acontece enquanto a empresa faz a contagem regressiva para a abertura de sua nova biorrefinaria, também em Passo Fundo. A instalação, prevista para 2027, tem como objetivo aumentar a relação da Be8 com os agricultores do estado, criando novas oportunidades de negócios.

Aposta no Trigo e no Triticale para Fortalecer o Campo Gaúcho

O presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella, revelou em entrevista ao AgFeed que a prioridade é incentivar a produção de trigo no Rio Grande do Sul. "Prioritariamente, a proposta é fomentar a produção de trigo no Rio Grande do Sul, criando uma nova demanda para o cereal e contribuindo para tornar o cultivo mais atrativo, ampliando a liquidez ao produtor no estado", afirmou Battistella.

Além do trigo, a futura unidade de etanol será "multicereal", o que significa que ela poderá processar diferentes tipos de grãos. Essa versatilidade ajuda a reduzir a dependência do estado de etanol importado de outras regiões. Battistella explicou que essa diversidade de matérias-primas oferece segurança e estabilidade para o agronegócio local.

A nova usina terá um impacto significativo nos números da empresa. Atualmente, a Be8 controla cerca de 13% do mercado nacional de biodiesel. Com uma capacidade anual de produção de 1,71 bilhão de litros distribuídos em quatro fábricas pelo país, a expectativa é de um salto no faturamento.

Crescimento Financeiro e Novos Mercados para o Agronegócio

Para o ano de 2027, a expectativa é de um crescimento de 15% na receita da companhia. Esse aumento já considera a alta de 10% prevista para o ano atual. A mudança principal vem da produção de etanol de trigo e outros cereais, que abrirá portas para quatro novos mercados além do biodiesel tradicional.

No ano passado, a Be8 alcançou uma marca histórica: receita líquida de R$ 10 bilhões, o que representa um avanço de 36% em relação ao ano anterior. O faturamento bruto chegou a R$ 12 bilhões, com uma alta de 64% na comparação anual. Esses números mostram a força do grupo, fundado em 2005.

A previsão é que a nova usina seja inaugurada no primeiro trimestre de 2027, com a obra sendo concluída até dezembro. Além de ser a primeira do Brasil a produzir glúten vital em escala industrial, a planta terá uma capacidade inicial de processar 525 mil toneladas de grãos por ano.

Do Grão à Ração: A Criação de Novos Produtos

Com a capacidade de fabricar até 210 milhões de litros de etanol, o projeto, cuja obra custará R$ 1,5 bilhão, transformará trigo e triticale em três produtos principais: etanol, glúten e DDG. O DDG (Grãos Secos de Destilaria) é um resíduo do grão que possui alto valor proteico. Ele tem se tornado muito importante como alimento para o setor de pecuária e alimentação animal.

Além dos produtos sólidos, a Be8 aproveitará o CO2 liberado durante a fermentação do etanol. Em vez de jogar esse gás fora, ele será vendido como insumo para indústrias de refrigerantes e metal-mecânica. Essa movimentação agrega valor ao processo e ajuda a fechar o ciclo da indústria, unindo o biodiesel a quatro outros produtos gerados na planta.

A Be8 já possui contratos para cultivar trigo em mais de 40 mil hectares próximos à futura fábrica. Essas áreas incluem terrenos já com plantio, em fase de crescimento ou em fase de reprodução. Essa logística integrada garante matéria-prima constante para a usina.

Impacto no Mercado e na Logística Regional

Segundo Battistella, essa nova demanda pode ampliar em cerca de 20% o mercado de trigo no Rio Grande do Sul. Isso cria um destino fixo para a safras, estimulando o uso das terras agrícolas também no inverno, período em que muitos campos ficam ociosos. "A demanda adicional poderá ampliar em cerca de 20% o mercado de trigo no Rio Grande do Sul, criando um destino permanente para a produção e estimulando o aproveitamento econômico das áreas agrícolas durante o inverno", reforçou o executivo.

Quanto ao DDG, a expectativa inicial é produzir cerca de 150 mil toneladas por ano. Esse produto tem um consumo rápido não só no Rio Grande do Sul, mas também em Santa Catarina. Dados da consultoria Datagro mostram que o consumo brasileiro de DDG deve crescer dos atuais 9 milhões de toneladas para 10,8 milhões em 2030, indicando um mercado em expansão.

Relativamente ao CO2, o dirigente da empresa afirmou que uma alternativa regional surge para empresas, a exemplo da Fruki bebidas, de Lajeado (RS). Antes, muitas empresas precisavam importar esse gás de outros estados. Agora, a produção local reduz a distância do frete. "Isso terá impacto positivo, por exemplo em diminuição de custos, devido à distância menor do frete", explicou o presidente.

Além de refrigerantes, o setor metal-mecânico do Sul do Brasil, que o gás em processos de soldagem, também passará a consumir o CO2 da Be8. Essa proximidade fortalece a cadeia produtiva da região.

O carro-chefe da empresa continua sendo o Be8 BeVant (BeVant), biocombustível feito de gordura animal e óleo de cozinha. Esse combustível pode ser usado em motores diesel sem qualquer adaptação. De acordo com o presidente, "ele substitui 100% do diesel fóssil sem necessidade de adaptações nos motores ou mudanças na atual infraestrutura de abastecimento". O produto já é utilizado, por exemplo, nos caminhões de corrida da Copa Truck.


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