A próxima safra de soja enfrenta um risco maior do que os preços: o clima. O El Niño deve ser forte, afetando lavouras em várias regiões do Brasil. Muitos acham que só o Centro-Norte sofrerá, mas o Sul também pode perder. Por isso, é preciso se preparar para proteger as plantações e o bolso do produtor.
Por muito tempo, cuidar do risco no agronegócio significou proteger o lucro quando os preços mudavam. Ferramentas como contratos futuros e opções viraram parte do dia a dia de muitos produtores e empresas.
Mas há um perigo que ainda confunde até os negócios mais preparados: o clima.
5 pontos-chave para entender
- O El Niño forte pode prejudicar a safra de verão 2026/27 na América do Sul.
- Não é só o Centro-Norte que perde: Sul e Sudeste também sofrem com secas e calor.
- Quando o clima muda, o produtor perde dinheiro, pois fica difícil planejar gastos e vendas.
- Além das boas práticas, existem seguros contra o clima para proteger a lavoura.
- A imprevisibilidade é o novo desafio: produzir com mais segurança para não ter prejuízo.
As previsões mostram que o El Niño pode ser forte na safra de verão 2026/27. Esse fenômeno muda as chuvas e as temperaturas, afetando as lavouras em várias regiões.
O problema é que muita gente ainda pensa de forma simples sobre o El Niño. Acreditam que o Centro-Norte vai sofrer com a seca e o Sul terá mais chuvas. Mas a realidade no campo é bem mais complicada.
O Centro-Norte, como o Matopib, Mato Grosso e Goiás, é muito afetado pela seca. Mas, olhando os últimos cinco El Niños desde 2014, várias regiões do Centro-Sul, como Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul, também perderam produção.
Eventos climáticos fortes aumentam a oscilação da produção. Isso é crucial para quem administra uma fazenda.
Quando a produção fica imprevisível, fica difícil planejar custos, vendas, dinheiro em caixa e empréstimos. Ou seja, o problema deixa de ser só da planta e vira um problema de dinheiro.
Por isso, a gestão de risco precisa mudar. Investir em sementes melhores, cuidado com o solo e irrigação é fundamental. Mas mesmo com tudo isso, o clima ainda pode atrapalhar.
Está crescendo a procura por ferramentas que protejam financeiramente o produtor contra o clima, como seguros. Assim como o seguro de preço protege contra a queda de valor, esses novos mecanismos protegem contra a perda na lavoura.
As mudanças climáticas deixam os eventos extremos mais comuns e a próxima safra mais incerta. Estudar o clima deixou de ser teoria e virou uma ferramenta vital para tomar decisões e fortalecer o agronegócio.
O desafio da próxima safra não é só produzir mais, mas produzir com mais segurança em um mundo onde o clima sempre vai mudar.
Konrad Mello é responsável por derivativos climáticos na Hedgepoint Global Markets.

Foto: AgFeed





